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    Blog Rita Petronilho



    Ali de mineiro em Juiz de Fora é morro!

    Sexta – feira passada foi um daqueles dias que vou lembrar sempre.

    Fui para Associação Somar Brasil na qual me comprometi estar toda sexta para discutir assuntos ligados as questões da deficiência, acessibilidade e criar projetos  para fazer a diferença .  Sairia de lá direto pra faculdade. Até ai tudo bem tranqüilo. Uma beleza! Porém, começou a "saga". Perdi o ônibus que me deixaria na porta da faculdade. Tinha uma segunda opção descer em outro e ligar para minha amiga para nos encontrarmos na esquina da Rua Sampaio. Mas, resolvi pegar outro ônibus que também passa perto da faculdade. E assim fiz.

    Antes perguntei ao trocador se ele passava perto de lá, ele me disse que deixaria na  rua acima, que pararia o mais pertinho para mim.Pensei "quanta gentileza”.

     Lá fui eu me sentindo. O ônibus confortável, pouca gente, fui assistindo propagandas da cidade. Ônibus todo chiquetoso.

    Mas... Quando ele foi subindo o morro já no bairro da faculdade eu comecei a ficar assustada.Para eu ficar calma falava para mim ... ahhh ele dará a volta e passará na rua de baixo. Doce ilusão! O trocador falou" vamos parar aqui para você porque é mais perto". Minha gente! Era no alto do morro. Lá de cima eu via a faculdade que fica na esquina.

    O trocador me ajudou a descer do ônibus e eu estatalhei os olhos só via o morro.Imaginava como vou descer esse excomungado.Se eu ficar sem dente eu me mato!

    Naquela hora entendi que não devemos acreditar em mineiros quando eles falam é logo ali, ainda mais aqui em Juiz de Fora o logo ali é no morro.

    Caramba! Que morrooooo enorme! Nem se eu tivesse asas eu desceria sozinha.

    Pensava com meus botões esse motorista deve pensar que minha cadeira é um carrinho de rolimã. (isso pq não vou escrever aqui o que realmente pensei do trocador e motorista e nem a vontade de mandá-los.....)

    Nessa altura do campeonato eu já estava cega, o ônibus ainda parado arrumando o elevador, eu procurando meu celular que  sentiu o drama da situação sumiu dentro da bolsa com medo que eu descesse o morro sozinha. Procurava o   maltido e não achava. As pessoas do ônibus olhavam com olhar de óooo!!!! "O que essa louca vai fazer". Vi-me numa cena de filme nos quais todos ficam esperando a reação com olhar de idiota (minha vontade também era mandar todo mundo ir ....)

    O maltido celular não aparecia nem com reza, eu já estava apelando para todos santos , espíritos, até a nossa senhora da bicicletinha ...

    Tudo isso parecia estar durando uma eternidade. Foi quando meu apelo  aos santos , espíritos , orixá e Sta. bicicletinha foi atendido .Ouvi aquela voz que nunca mais vou esquecer.”Você quer uma ajuda?”  nem deixei ele pensar na possibilidade de desistir da ajudar e respondi ... aiiii quero, já fui logo agradecendo . Minha vontade naquela situação era de chorar, gritar e xingar.

    O povo do ônibus continuava me olhando e quando o senhor começou a me ajudar, vi aqueles sorrisinhos de alívio da galera, mas ninguém se manifestou e me ajudar antes. Deveriam estar pensando “ela vai descer o morro como” vai se esborrachar no chão”.

     Começamos a descer o excomungado.Descemos de costas todo o morro porque de frente não seria possível,pois a cadeira  puxaria com muita força. Eu sempre perguntava já da para virar e descer de frente. Ele respondia:

    Não! Tem elevações ainda maiores (nas calçadas)

    Ufa! Descemos o morro. Ele decidiu que me deixaria dentro da faculdade.

     Agora vem a surpresa maior e a prova que estamos  sempre amparados  por Deus e que ninguem está jogado aqui  na Terra. Virei para agradecer meu herói e ai que vi o rosto do senhor que me ajudou com todo carinho do mundo, porque até aquele momento eu estava cega de medo do morro e não enxergava nada.  Vi que eu desci o morro em ótimas mãos era alguem que eu já conhecia,era um dos meus médicos. Rimos muito da minha surpresa! Ele ria e dizia para mim, só estava esperando a hora que você iria me reconhecer.Eu respondi fiquei cega quando vi aquele morro excomungado.

    A vida é feita desses momentos onde tudo parece desesperador, ai surge alguem para te estender as mãos,você acredita que tudo tem solução, que existem pessoas solidárias e que anjos existem e nos protegem.

    Beijos hoje todo especial para o Dr. Roberto Lima Guedes, meu herói e anjo na sexta passada.



    Escrito por RitaPetronilho às 14h01
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